
A tendência dos últimos posts aqui tem sido música portanto, aqui fica mais um para manter a dinâmica.
Hoje vou-vos falar dos Death in June e, prevendo polémica vou-me dar ao trabalho de me alongar um pouco na minha opinião sobre esta banda.
Se forem ver o link para a Wikipedia, constatarão que os Death in June são considerados uma banda influente naquilo que se veio a chamar o pós-industrial - não entraremos em detalhes sobre estes géneros - sendo com frequência atribuÃdo a esta banda o despertar da vaga de neo-folk.
Humilde, o Douglas P, refere no documentário Behind The Mask que esse crédito não lhe é devido só a ele mas também ao seu ex-amigo e ex-colaborador, David Tibet dos Current 93 (dos quais já se falou por aqui também).
Tendo encetado as suas explorações musicais no meio da explosão punk, pelo final de 1977 formou a banda Crisis e por aà andou até 1981 quando, com Tony Wakeford e Patrick Leagas se fizeram os DIJ.
Começa a polémica e entra a minha opinião e visão pessoal sobre a banda.
Ignorem tudo o que lerem sobre os Death in June enquanto banda de fascistas - acreditem em mim, se forem pesquisar coisas sobre eles, vão-se deparar com este tipo de coisas amiúde.
Gostam de usar camuflados das SS? Sim, gostam.
Gostam de utilizar iconografia nacional-socialista como totenkops e afins? Sim gostam.
Gostam de runas? Sim gostam (também eu e não vou admitir comentários pouco informados sobre elas).
São fascistas, nazis ou qualquer coisa desse tipo? Não me parece mas na verdade não se sabe e nem interessa pois não? Pelo menos enquanto, a serem, não o promoverem publicamente ou através das suas músicas.
Pessoalmente, com o nojo que toda a polÃtica me mete (e na team kali este sentimento é partilhado), se suspeitasse que o Douglas P era politizado nem me daria ao trabalho de falar dele ou da sua banda aqui - não gostamos de perder muito tempo com o que não interessa.
A verdade é que as músicas deles promovem valores nobres e defendem ideias interessantes que, ainda que possam ser pouco ortodoxas para alguns, não são fundamentalmente maldosas ou éticamente reprováveis e isso para mim é o que realmente interessa.
Em última instância, as músicas do Douglas P são mesmo muito pessoais e Ãntimas o que é muito bom, comparando com as musiquinhas pop-de-pastilha-elástica ou da música de máquinas feita industrialmente para promover carinhas larocas em corpos sexy que na verdade não têm alma...
Os Death in June fazem música para o espÃrito, não para o lucro. Musicalmente variados ao longo da sua extensa discografia, nunca abandonaram essa postura catártica de cantar o que vai na alma. Fosse ele português e era fadista...
E tudo isto porquê? Bem, porque recentemente vi o tal documentário Behind the Mask e ontem à noite estive a ouvir o último album deles que tem recebido crÃticas menos boas por parte dos iluminados da indústria. Como acompanho o trabalho deles há uns bons 10 anos e continuo a entender pertinente o modo como eles falam das coisas, entendi fazer aqui não uma apologia, mas antes um elogio a tão nobre figura (relembro que é a minha opinião) através do qual compreendi o verdadeiro sentido de hagakure (escondido entre as folhas, literalmente). Também por causa da música deste cavalheiro senti-me na obrigação de ler Yukio Mishima (o que só me trouxe satisfação) além de que, no geral, funciona como boa banda sonora para um espÃrito tradicionalista como o meu.
Quando se toma como ponto de vista o aforismo em cima como em baixo as nossas visões podem não ser as mais populares mas, gosto de acreditar, aproximam-se mais da realidade real e foi isso que eu acho que o Douglas P fez, perdeu em popularidade (ninguém fala mal dos Crisis apesar de eles terem defendido pontos de vista radicais de extrema-esquerda) ganhou em clarividência.
E para quem chegou até aqui, tomem lá um bónus :D
Não estamos a promover a pirataria, o album é mesmo gratuito e apesar de não ser exactamente representativo do trabalho dos Death in June, é simpático, e foi feito para apoiar a causa tibetana e nem que seja só por isso, já merece o nosso respeito.
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